“Autárquicas? Nunca ouvi falar desse filtro”

Algures há umas semanas atrás o belo do Henrique convidou-me para escrever um artigo, um texto, “uma cena fixe sobre um tema que gostes ou queiras abordar”. Pois bem, não é um tema que goste, pelo contrário, deixa-me até com algum “comicho” só de pensar nele. A geração do Instagram e dos filtros, do Twitter e do “stay in touch”, a geração do futuro não tem cuidado do futuro…

De hoje a um ano a população portuguesa, onde a tal geração se inclui (só para o caso dos mais distraídos não terem dado conta), é chamada a votar para mais umas eleições autárquicas. “Pronto, lá vem esta falar de política…” Caros leitores… mais do que política, venho falar do futuro. Aquele futuro que somos nós, sabem?

47,4% foi a percentagem de abstenção das últimas eleições autárquicas em Portugal. Traduzido para bom português, e numa tentativa de chocar os mais sensíveis, quase metade dos portugueses não votaram, não quiseram escolher quem poderia dar voz às ambições que certamente tinham para a sua cidade e até mesmo para a freguesia.

A minha pergunta é só uma: Qual a legitimidade para reclamar a estrada que tem buracos e “ninguém faz nada”, ou para contestar o abate de árvores no único parque de merendas que existia na freguesia? Qual a legitimidade para criticar e exigir mais quando no dia em que é dada a oportunidade de fazer a diferença não o fazemos? Não, não é clichê. É a mais pura das verdades: ou começamos a ir às urnas TODOS e urgentemente ou, minhas senhoras, qualquer dia ainda ficamos sem ovários, afinal é esse o preço a pagar pela falta de conhecimento de programas eleitorais (quaisquer que sejam).

Falta um ano. Um ano que começa agora e que está nas mãos de todos nós fazer com que seja um ano de apelo. Na cruzinha ou em branco, VOTEM!

Não querem saber? Não interessa? De certeza? E uma sala de estudo aberta 24h na cidade que vos viu crescer que vos permitisse estudar durante os fins de semana? E a reabertura da linha do Oeste que em tanto nos facilitaria o dia-a-dia? Todos temos ambições e expectativas que queremos ver repercutidas na nossa cidade. Todos fazemos parte disso, e acreditem, é política pura e até ver ainda não me comeu nenhum bocado (acho que podem confiar).

Por todas as razões em prol do bem comum, pelas melhorias possíveis de incrementar nas nossas cidades e freguesias, por sermos cidadãos conscientes e atentos ao que nos rodeia, por querermos fazer parte dum futuro sem filtros, comecemos por arrumar a nossa casinha e coloquemos cada coisa (ou pessoa) no sítio onde pertence.

mariana leonardo

Recém licenciada em Direito pela FDL. Aluna do Mestrado Forense na Faculdade de Direito da Universidade Católica. Entrou na política e até agora ainda não se arrependeu.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s