Calma

A famosa Geração Z é mais complexa do que parece, vivemos sufocados de informação, numa imensidão de fontes de conhecimento sujeitas a   uma exposição que tem tanto de excessiva como potenciadora.

Em intervenções continuamos ainda muito passivos, quase cautelosos com as palavras e receosos sobre iniciativas, ainda assim cada vez mais conscientes, com uma visão da conjetura global aos mais variados níveis nunca antes vista.

A geração que vive forçada a correr, a escolher rápido, a planear aceleradamente e ter nas suas mãos o ontem para viver já amanhã ou o mais depressa possível.

Os jovens são movidos por causas, repugnando a generalização e políticas que possam desrespeitar de alguma forma minorias. Essa consciencialização das diferenças, sinónimo da globalização e avanço da  tecnologia, faz com que a vertente do socialismo de proteção de minorias esteja presente nos jovens, muitas vezes de forma inconsciente ou alienada a uma ideologia ou partido,  num processo de desmistificação do conceito de politica.

 Já não é suficiente a mesma história repetida do professor que atribui a mesma nota a toda a turma, numa narrativa que tem como objetivo menosprezar a equidade e sobrepor a ambição individual sobre todas as coisas.

Os jovens associados a um afastamento da política, não o estão na realidade, os jovens estão afastados de definições feitas, estão afastados de impessoalidade, de corrupção e injustiça. Os jovens estão e são empenhados, saem à rua quando sentem que a causa realmente os move, seja o racismo, a promoção da sustentabilidade, formando correntes humanas que protegem de forma eficaz também a democracia.

Ainda assim, abstenção é enorme, a participação eleitoral dos jovens, infeliz, a política mediada pelos partidos continua a não ser apelativa, as lideranças incompreendidas e quase sempre tão pouco apelativas.

Não acredito numa alienação completa dos jovens sobre a política nacional, acredito numa não identificação nos moldes em que hoje se pratica, a necessidade de uma linguagem concisa enfeitiça os jovens para discursos populistas e inconscientes, sustentando assim a desmotivação latente sobre a política tradicional.

Mas a empatia não sendo sinónimo de populismo, é determinante no que toca à comunicação com os mais jovens. São ainda várias as temáticas que passam despercebidas e precisam terminantemente de ser expostas a alto e bom som para que se encontrem medidas adequadas ao combate destas problemáticas.  Exemplo disso é a saúde mental que não tem ainda a consideração necessária nem a presença fulcral nos discursos políticos e ordens de trabalho.

A competição, o “burnout” académico, a sobrecarga psicológica, conceitos que desaguam em depressão, ansiedade ou até mesmo em suicídio, os números comprovam os efeitos fatais deste tipo de patologias que se traduzem, em 2017 na mais alta taxa de mortalidade por suicídio entre os jovens, em Portugal.[1]

É urgente uma reavaliação do número de profissionais de saúde mental em estabelecimentos de ensino, bem como a carga horária escolar revista, o número de horas na escola tem de ser consciente e adaptado à faixa etária dos alunos, permitindo tempo livre para  a prática de exercício físico, higiene do sono, hábitos de convívio e lazer uma vez que são elementos essenciais à proteção da saúde mental.

Assim como existe ao longo do tempo uma evolução da forma de estar e ser dos jovens também os programas curriculares têm um importante papel na prevenção e tratamento de doenças, acompanhando assim esta evolução. Desmistificar conceitos e transmitir informação de qualidade acerca destes temas passa também por integrar estas temáticas em disciplinas que já teriam como tópico integrante a saúde. 

É essencial que este surto silencioso, deixe de passar despercebido, que o sistema educativo seja exigente de forma a que qualquer aluno portador de uma doença mental não sinta os seus sintomas menosprezados, e assim como em outras áreas os jovens reconheçam as suas necessidades refletidas nos programas eleitorais e nas concretizações de cada mandato.

E este é apenas um exemplo, as características referidas inicialmente sobre esta geração têm de ser tidas em conta no processo de desconstrução e evolução da comunicação política no nosso país pensando, claro está, na melhoria da qualidade de vida dos jovens e por consequência, a mudança de postura para com a política em si. Conteúdo online, informativo e descomplicado é essencial para que os mais jovens não tomem a democracia, em que já nasceram, como garantida.

Assim, logo que exista um investimento na compreensão desta nova geração e na forma como os seus interesses e necessidades têm influência na sua envolvência/atividade política, será possível uma abordagem muito mais lucrativa para todos, fomentando uma consciencialização massiva da implicação  direta que a participação política tem na vida de todos nós.

[1] SÁBADO.2019.”Taxa de suicídio entre os jovens com valor mais alto da última década” Last modified 10.10.2019 https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/taxa-de-suicidio-entre-os-jovens-com-valor-mais-alto-da-ultima-decada

CRISTIANA PINTO

Vice Presidente da JS / Leiria. Estudante de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Católica Portuguesa. A malta aposta que um dia será Presidente da Junta de Freguesia de Monte Redondo.

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