Transição Democrática

Na Grécia antiga, quando Clístenes – considerado um dos fundadores do sistema democrático – desenhou o regime, o modelo pautava-se por uma segregação das múltiplas sensibilidades sociais. No decurso dos anos, a democracia sofreu alterações profundas na sua forma de organização da comunidade.

Se Alexis de Tocqueville, considerava essencial que a democracia era a pedra angular para consumar as conquistas da liberdade, da pluralidade e respeito pela dignidade humana, é igualmente, apologista de uma modificação pacífica, como foi o caso da Revolução Inglesa em contraposição da Revolução Francesa, sendo a primeira amplamente defendida por conservadores como Burke. Deste modo, é com base nesse novo paradigma que Tocqueville refuta o individualismo social que conduz, numa última instância, ao narcisismo, ou melhor, o egoísmo.

Com efeito, o cidadão não é parte excluída da construção da sociedade, não obstante, é no indivíduo que ocorre o ímpeto transformador particular. As transições democráticas surgem, quando os cidadãos compreendem que detém em si, a capacidade de consubstanciar alternativas de progresso e desenvolvimento justas numa dimensão integral comunitária. 

Posto isto, o México é um exemplo demonstrativo da energia reformista da comunidade. Antonio Manuel López Obrador elucida-nos para uma tenacidade contínua, que é exigida a muitos políticos que residem em locais, onde a alternância de partidos é limitada. Insatisfeitos com a ausência de estratégia de combate ao fenômeno das novas guerras, em detrimento da convenção arcaica de Clausewitz, os mexicanos mudaram de governo, após décadas a serem liderados pela direita. Lopez Obrador assumiu como o seu desígnio, a criação de um plano para mitigar os efeitos das organizações criminosas.

Contudo, os grupos como Los Zetas ou o Cartel de Jalisco Nova Geração, aproveitaram a demissão do Estado em inúmeras áreas e por conseguinte, a insegurança e os conflitos permanentes devem ser solucionados através de um projeto social que aposte em políticas públicas fortes contra a pobreza, na promoção da educação e do reforço no desenvolvimento humano.

A democracia é sinónimo de liberdade. Porém, só a liberdade poderá ser exercida quando o governo praticar uma concepção real do jusnaturalismo, alicerçada na equidade e inclusão coletiva. Segundo, John Stuart  Mill o valor da liberdade deve ser restringido para que não possa haver coerção de terceiros. Contudo, a coerção ocorre quando o Estado não é capaz de criar um projeto transversal que elimine as desigualdades.

A intervenção é urgente e necessária, hoje o México é vítima dessa degradação interventiva. Assim sendo, a participação cívica é fundamental para impedir o desmantelamento social fruto de um imperturbável descompasso civil que muitos executivos mexicanos vetaram conduzindo o seu país num estado calamitoso.

Patrícia Agrela

Mestranda em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Católica Portuguesa. Líder do Grupo Municipal do PS em Câmara de Lobos. Dirigente regional e nacional da JS.

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