A vitória da decência

Em primeiro lugar, uma declaração de interesses. Sempre achei que a escolha de Joe Biden para candidato democrata às Eleições Presidenciais Norte-Americanas de 2020 era a escolha mais acertada. Em segundo lugar, uma afirmação: isso não significa que considere Joe Biden o Presidente mais inspirador que os Estados Unidos já tiveram.

A 12 de agosto deste ano escrevi na minha página numa rede social as razões por detrás desta aparente contradição. A propósito da escolha (por Joe Biden) de Kamala Harris para Vice-Presidente dos Estados Unidos, disse que era a vitória da conciliação entre progressismo, modernidade, seriedade e moderação.

Não obstante, a vitória de Joe Biden explica-se mais simplisticamente. Joe Biden era o único candidato decente. E como Van Jones teve oportunidade de dizer na CNN, a decência conta. E bem.

Estes dois parágrafos explicam porque razão considerava Joe Biden a melhor escolha. E nem tinha a ver com a maior probabilidade de vitória do Partido Democrata. Tinha a ver com aquilo os Estados Unidos (e o mundo, por inerência) precisam. Como disse Joe Biden, o que é preciso é “dar uma chance” ao outro lado. Àquele em quem não votaram. Àquele com quem discordaram.

A 18 de julho tive também oportunidade de escrever, no Jornal Observador, que a cultura do permanente conflito corrói as bases das sociedades democráticas, cujos alicerces são fundados na ideia de que “eu posso discordar de ti, mas lutarei até ao final da minha vida pelo direito que tu tens de dizê-lo”. Essa empatia para com o outro, mesmo que o outro esteja na barricada contrária, é o pilar que funda o encontro entre opiniões divergentes e que juntas constroem as sociedades democráticas.

Precisamos de falar mais entre todos e deixarmos de ser apenas capazes de falar com aqueles que pensam como nós. E Biden, inspiradoramente ou não, passou a sua vida a fazer isso. É o Presidente que os Estados Unidos da América precisam hoje e agora. É o homem certo no momento certo. Porque a História devolve às crises e aos tempos mais tenebrosos da existência humana as boas atitudes, as virtudes do ser humano e a decência. Porque o caráter importa. Muito!

Tomás Santos

Jurista de profissão, encara o direito de forma apaixonada e filosófica. É militante da Juventude Socialista desde os 18 anos e do Partido Socialista desde os 21. Republicano, socialista e laico, considera-se um moderado radicalizado na defesa dos direitos humanos e da democracia.

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