A civilidade regressa aos Estados Unidos da América

Poderia tratar-se de um artigo de divulgação literária. Mas não, trata-se de uma reflexão sobre a eleição mais importante do nosso tempo. 

Hoje fez-se história nos Estados Unidos da América. Depois de um mandato de quatro anos do Presidente Trump, que foi de facto uma humilhação para os parceiros histórico-estratégicos dos United States, para todos os europeus e para a aliança transatlântica em detrimento das autocracias por esse mundo fora, poderá hoje ser escrita uma nova página na história americana. 

O epicentro da democracia liberal, vulgo Estados Unidos da América, pode voltar hoje à normalidade. Isto se não se virem confirmadas as tentativas de impugnação de eleições, que diga-se, são desprovidas de fundamento jurídico e sem base em provas, apanágio de um presidente que quer lançar a semente da guerra civil nos Estados Unidos. 

Fazendo um balanço do mais negro mandato de sempre de uma administração norte-americana, a Administração Trump durante quatro anos mostrou o seu racismo hiperbólico, mostrando-se insensível para com os homicídios com base em motivações racistas ocorridos na América. 

Mostrou-se igualmente e particularmente vulnerável à falsa informação, sendo o alfa e o ómega da desinformação durante todo o seu mandato e tendo atingido o recorde mundial de fake-news por dia (seja no Twitter, em que um em cada dois posts são banidos, seja fora das redes sociais). 

Uma Administração que se guiou pela falácia da generalização de um americano comum, esse que saiu prejudicado com a globalização, e que durante o seu mandato na Casa Branca discriminou todo o tipo de minorias.

Uma Administração que nomeou para o Supremo Tribunal a juíza mais religiosa e conservadora de que há memória nos Estados Unidos, mesmo antes de se realizarem eleições presidenciais.

Uma Administração cuja a sua única carta era ter levado a economia a bom porto e que fez querer os americanos num enredo falso.

Uma Administração que deixa pelas ruas dos Estados Unidos um ambiente de guerra civil, essa cuja sua primeira medida foi revogar o Obama Care, deixando os americanos desprovidos de acesso à saúde excetuando aqueles que tenham dinheiro para custear seguros privados. 

Uma Administração que durante a pandemia de COVID-19 privilegiou as teorias da conspiração negacionistas em detrimento do conhecimento científico, sendo moralmente responsável por poder ter evitado cerca de 30% das letalidades. 

Os eleitores americanos arrependeram-se e, embora Hillary Clinton em 2016 tenha tido mais votos populares, fecharam a porta ao extremismo reacionário, racista, homofóbico, populista e misógino de Trump, preferindo o centrismo, a moderação, o conhecimento científico, o multilateralismo e a diplomacia de Joe Biden.

Ainda assim ficam ferimentos na política mundial, dado que uma das consequências devastadoras desta administração, foi o número de trampistas semeados por esse mundo fora.

Aqueles que rejeitam o conhecimento empírico privilegiando as convicções religiosas, os racistas, reacionários, homofóbicos e misóginos. Portugal também sofreu do mesmo mal onde houve plantações que deram frutos, melhor dizendo, deputados à Assembleia da República. 

É urgente os portugueses dizerem não a movimentos populistas, para que um dia não se venham a arrepender com os eleitos, tal com aconteceu nos Estados Unidos. 


Mateus Luís de Araújo

Mateus Araújo, estudante do secundário em Humanidades, de centro-esquerda, republicano e laico, coordenador dos Estudantes Socialistas do Seixal, radical na defesa da democracia, direitos individuais e direitos humanos e moderado em tudo o resto.

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