PSD, a incubadora da extrema direita

Nos finais de julho deste ano Rui Rio disse que, a única possibilidade do PSD vir a falar com o CHEGA, era se este se moderasse. Entretanto, pouco mais de três meses volvidos, o CHEGA não se moderou, mas isso não impediu, o PSD, de com ele se sentar à mesa para firmar um acordo de governação nos Açores. E que dizer disto? O CHEGA, partido populista de extrema direita, que estrategicamente (e enganosamente) sempre se disse anti sistema, encontrou em fim a brecha que sempre procurou para se infiltrar no arco da governação. Lamentavelmente, o PSD, ficará com o ônus dessa (ir)responsabilidade que foi o atropelamento da cerca sanitária que nos distanciava da extrema direita, e que distinguia os partidos da direita democrática e liberal dos da direita nacionalista e (i)liberal.

Com este acordo ficamos a saber que os outrora “banhos de ética” –  de que Rui Rio disse a política necessitar –  nada mais são do que uma miragem, um recurso estilístico, uma mão cheia de nada. E prova disso mesmo, é também a forma como alguns sociais democratas (entre outros), têm justificado este injustificável que condenou à orfandade grande parte do eleitorado do centro direita que votava no PSD. Muitos são os que têm equiparado o PCP e o BE ao CHEGA, como também muitos são os que têm defendido que foi António Costa quem abriu a porta a este tipo de entendimentos governativos, quando há cinco anos firmou acordos com os partidos à sua esquerda. Ora, a questão nunca foi sobre a legitimidade do acordo firmado entre o PSD e o CHEGA. A questão sempre foi sobre a natureza do partido com quem o PSD chegou a um acordo.

Sim, há muitas incoerências a apontar ao PCP e ao BE. Mas reconhecer isso não implica ter de comprar a ideia de que o PCP e/ou o BE devem ser colocados no mesmo saco que o CHEGA.

O PCP e o BE estão perfeitamente integrados na nossa democracia constitucional – e não demonstram vontade em revogarem essa integração. Já o CHEGA é o partido que se assume como anti sistema, que não se revê no regime democrático em vigor, e que ambiciona uma nova República. É o partido que propõe o confinamento dos ciganos, a “vigilância” (entenda-se a segregação) dos muçulmanos, a castração física, e outras barbaridades inconstitucionais e inconciliáveis com o princípio da dignidade da pessoa humana.

Quando em 2017 André Ventura, então candidato do PSD ao executivo municipal de Loures, fez as repugnantes declarações racistas sobre a comunidade cigana, Assunção Cristas, a então líder do CDS, soube (e muito bem) distanciar-se dele e reafirmar que as linhas vermelhas não se ultrapassam. É uma pena que o PSD não a tenha acompanhado.


Rúben Marques da Silva

Aprendiz de historiador. Secretário Concelhio e Representante da Juventude Socialista de Mafra no Conselho Municipal de Juventude.

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