Coelho ou ratazana?

De quando em vez, aparece alguém a dizer que Pedro Passos Coelho (PPC) foi o melhor Primeiro-Ministro (PM) português após o 25 de Abril, voltou a acontecer estes dias, portanto, é novamente necessário contra-argumentar esta ideia, e mostrar como ela está errada. PPC merece um único elogio: foi um PM competente, competente na medida em que cumpriu o plano da Troika. Qualquer hosana, para além disto, é desfasada da realidade, ou derivada de cegueira ideológica partidária.

Vamos a factos, nas eleições de 2011, PSD e CDS juntos conseguem 50.35% dos votos e maioria parlamentar, consequentemente, formam Governo e escolhem PPC para ser o PM. Nas eleições de 2015, os dois partidos concorrem coligados, mas desta vez apenas conseguem 38.5% dos votos, o que apesar do primeiro lugar, constituiu uma enorme derrota pela impossibilidade de formar um Governo estável. Uma pessoa, que perde quase 12 pontos percentuais numas eleições, pode ser considerado um grande PM? O melhor de sempre? Parece-me que não.

Atualmente, há um consenso de que as políticas de austeridade defendidas pela Troika foram erradas, por terem sido demasiado excessivas e demasiado exigentes, tendo provocado danos sociais, que ainda hoje, não foram compensados pelos ganhos económicos. O Governo de PPC vangloriava-se de ir além do exigido pela Troika, portanto, se as políticas da Troika foram erradas, as políticas de PPC ainda foram mais erradas.

Exemplo disso foi a polémica da TSU, onde a Troika defendia a redução da TSU sobre as empresas, de maneira a diminuir o custo de trabalho e estimular a criação de emprego, financiado esta medida com um aumento das taxas de IVA, um imposto indireto que tem um impacto menor no rendimento das famílias do que um imposto direto. PPC, em vez de seguir esta recomendação, preferiu tentar financiar a medida através do aumento da TSU sobre os trabalhadores, um erro crasso, que não só causou divergências dentro do próprio Governo, como foi responsável pela maior manifestação do povo português desde do 1º de Maio de 1974.

Mas se querem mesmo saber se PPC foi um grande PM, perguntem às famílias pobres, e mesmo de classe média, que sofreram por causa das políticas do Governo de PPC. Perguntem aos milhares de pessoas que perderam o emprego, ou sofreram cortes nos seus rendimentos, e viram o Estado negar-lhes apoios sociais, e, por isso, passaram a viver abaixo do limiar da pobreza. Perguntem aos filhos que viram as mães chorar, porque estas não sabiam como iam arranjar comida para os alimentar no dia seguinte. Perguntem aos milhares de pessoas que foram obrigadas a emigrar, porque não podiam ser piegas, e tinham de sair da sua zona de conforto. Perguntem às pessoas que viram familiares a não aguentar a pressão, e a sucumbir ao alcoolismo e à toxicodependência.

Quando Margaret Thatcher, outra política idolatrada pelos neoliberais, morreu, centenas de famílias pobres saíram às ruas para festejar a sua morte, o mesmo acontecerá quando Pedro Passos Coelho morrer.

Abel Costa

21 anos, estudante de economia, social-democrata

One comment

  1. Não sabia que André Ventura se tinha mudado para a JS. Parabéns! Conseguiram cuspir na memória de Mário Soares! O meu caro André não é socialista nem social-democrata, é um venturista. Ainda o veremos no Chega.

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