E a Ciência na Política?

A Ciência e a extrema necessidade de que a mesma faça parte da agenda do debate político. Hoje, para uma afirmação superior, no futuro, com as devidas repercussões numa sociedade mais informada e mais bem preparada para as adversidades que possam surgir.

À medida que a pandemia é combatida, são travadas duas batalhas dentro e fora dos partidos democráticos e em particular no Partido Socialista, atual partido do poder. Por um lado, o seu desgaste na aplicação de medidas que minimizem a inevitável quebra da economia e que, em simultâneo, não causem danos irreversíveis, principalmente, nos pequenos comerciantes, por outro lado, no campo político, na defesa da democracia contra os ataques da direita que antes democrática, agora rendida ao populismo dos partidos declaradamente populistas e de extrema direita.

A entrada direta da Ciência, na agenda no debate político, poderá contribuir excecionalmente, para o reforço da democracia contra os ataques ferozes da extrema direita. Acredito que o caminho a percorrer pelos partidos políticos democráticos terá de passar, inevitavelmente, por uma verdadeira aposta neste caminho.

Foi realizado trabalho ao longo dos últimos 5 anos, as condições para quem faz ciência nas instituições publicas, melhorou. Temos um orçamento para a Ciência histórico. Mas será que é suficiente? Não.

Continuamos a ter doutorados e pós-doutorados em condições de trabalho precário inaceitáveis, continuamos a não valorizar devidamente muitos dos nossos quadros, mais qualificados e, mesmo no privado, os seus vencimentos são parcamente aceitáveis comparativamente aos do resto da Europa.

Teremos todos de lutar por mais e melhores condições. Cabe à sociedade transmitir essa mensagem, pois, o saber científico construído tem de ser devidamente recompensado e dignificado. Atualmente, é a estes quadros que solicitamos que encontrem a resposta científica que vá combater a atual pandemia. Mas este empenho e trabalho desmedido, já lhes era solicitado antes, para outras doenças com taxas de mortalidade elevadas antes da COVID-19, assim como, para o ambiente, para o avanço tecnológico e em tantas outras situações, que no dia a dia, fazem uma enorme diferença no impacto no planeta e na nossa qualidade de vida.

Por outro lado, cabe-nos, também, vulgares cidadãos, capitalizar e ajudar na operacionalização do conhecimento e dos avanços científicos. O poder central ou a autarquias podem, e devem, desempenhar um papel muito importante neste processo, através da criação das oportunidades, facilitando mecanismos onde o setor publico, o setor privado e os estabelecimentos de ensino possam desenvolver e aprofundar estratégias conjuntas. Tratar-se-ia de encurtar o caminho e assim colocar toda a energia onde ela é necessária, no trabalho e no pensamento.

Por isso, cabe-nos a nós, agentes políticos jovens trazer, com a frequência necessária, a debate, o tema e lutar por uma sociedade que valorize, cada vez mais a ciência e quem faz Ciência.

Miguel Póvoas

Licenciado em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Pós-graduado em Engenharia Alimentar. Deputado na Assembleia Municipal da Moita. Presidente da JS da Moita.

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