O mediatismo transatlântico das eleições americanas

As eleições realizadas no passado dia 3 de novembro vieram mostrar-se uma das mais importantes eleições para os Estados Unidos da América e para o mundo. Importância essa que resulta, essencialmente, da presidência que teve nos últimos 4 anos com Donald Trump, a voz do populismo negativo que, desde então, inflamou muito dos países da Europa.

As eleições realizadas no passado dia 3 de novembro vieram mostrar-se uma das mais importantes eleições para os Estados Unidos da América e para o mundo. Importância essa que resulta, essencialmente, da presidência que teve nos últimos 4 anos com Donald Trump, a voz do populismo negativo que, desde então, inflamou muito dos países da Europa.

Também eu, como cidadão interessado em política, acompanhei com entusiasmo os resultados que iam saindo a cada momento. Ainda assim, verifiquei que dentro do meu grupo de amigos e colegas, o interesse era também constante. Interesse esse que contrasta com o interesse na política portuguesa e na política europeia. Por que razão existiu um interesse generalizado com as eleições americanas?

A única razão que encontro é mesmo o “reality show” que estes últimos 4 anos foram da presidência de Donald Trump. Caracterizado pelo seu discurso divisivo, contra as minorias raciais e étnicas, contra os direitos LGBT, contra a emigração, incitando à violência e à ordem, também os portugueses sentiram que o que se estava a passar do outro lado do oceano era preocupante. Numa eleição que passa por escolher o seguimento destes últimos 4 anos, ou uma opção que ofereça estabilidade social, polarizou opiniões e sentimentos, levando a um interesse generalizado pelo resultado a sair do passado dia 3 de novembro.

Em Portugal não estamos ao mesmo nível de polarização, mas recentemente um dos partidos fundadores da democracia em Portugal decide fazer um acordo (de conteúdo desconhecido) com um partido antidemocrático, xenófobo e divisível, formado e financiado pelos mesmos que criaram a figura de Donald Trump, afastando-se totalmente dos seus valores democráticos e do Estado de Direito. Uma aliança deste tipo viabiliza e estende o tapete ao crescimento deste tipo de discursos e de ações que emergem severos perigos à Democracia e a todas as conquistas de Abril.

Também um pouco por toda a Europa têm crescido os movimentos populistas, nacionalistas e radicais, com casos concretos de atuação destes em governos como, por exemplo, na Polónia que, recentemente, recuou nos direitos, liberdades e garantias do seu povo. Também no Parlamento Europeu o grupo Identidade e Democracia (ID) representa todos os obscurantismos da extrema-direita que tanto ameaçam o projeto europeu e os direitos humanos.

O meu desejo é que todos os cidadãos, em especial, os portugueses tenham a noção que o mal que os EUA viveram nos últimos 4 anos também está presente no ocidente, em Portugal e na Europa. Que o interesse que houve nas eleições americanas seja ainda maior para os atos eleitorais nacionais e europeus.

Só podemos travar o ataque que é feito à democracia e à liberdade, ao multiculturalismo, à inclusão social, à justiça social, à igualdade se agirmos firmemente contra este tipo de discurso, não tolerando qualquer intolerância que exista na sociedade, como Karl Popper demonstra no seu paradoxo da tolerância.

Este é um ataque real e do presente. Cabe-nos a todos lutar contra ele, pelo nosso futuro como sociedade, pelo progressismo!

Da mesma forma como a História nos mostra, quem adormece em democracia, acorda em ditadura.


João Alexandre

23 anos, Vilar Formoso, estudante e ex-dirigente associativo do Iscte.
Cidadão preocupado e atento. Progressista e Democrata.

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