A “Cultura é dos intelectuais” e outras falácias que me divertem

Sempre me desgastou o elaborado desprezo que muitos insistem em oferecer a colegas, aos que considero, a mim própria e ao tão soberbamente e mágico mundo em que juntos coabitamos: A Arte. A Cultura. Nossa, mas de todos.

Sim, esse estranho e paralelamente distante universo não prima pelas melhores circunstâncias, porque a própria circunstância nunca é propícia ao momento, e o momento nunca convida ninguém a fazer-se palco, suor, e… já sabemos como funciona (ou “do que a casa gasta”, dirão os mais experientes).

Lembram-se do Sérgio dizer “muita força p’ra pouco dinheiro”? É essa a equação que está por detrás de tudo isto.

Já tudo foi dito e o que está por dizer sairá apenas com a força dos tempos que vivemos, que não se esperam fáceis, e que temos de passar. Por aí, dizeres foleiros trespassam-nos e os que já eram frágeis, em momentos de crise, (repitam comigo) mais frágeis ficam!

A Cultura é o parente pobre em cada estrada que por aqui perto cruzes.

É vista como aquela tia velha e chata que, todos os Natais, oferece umas meias que ficam esquecidas e se põe sempre com a mesma conversa monocórdica.

É também tratada como um adolescente dependente de comprimidos para a ansiedade, que parte espelhos nos dias pares e nos dias ímpares ouve Van der graaf generator a puxar a lágrima.

Hoje, os monólogos caiem mal, e chamamos-lhes storytelling para não dar um ar arcaico, porém, é tudo capa para a reinvenção.

Genuínos, a priori, mas muito sofridos.

Chamam-nos subsídio não-sei-das-quantas, mal-agradecidos e, ainda, dispensáveis, mas pensando sem estar dentro de mim não vislumbro mundo sem a dita Cultura que para alguém ou ninguém não significa absolutamente nada e é praticamente inexistente.

Tem graça, até falam dela como se nem a conhecessem.

Olhem à volta. O que vêem? Dir-vos-ei numa intromissão evidente que têm algo desta mesma área por perto.

Não me fartarei de me debater sobre este fenómeno enquanto ouvir que é “só para intelectuais” e me lembrar do “Ah, és de música, que giro! Mas tocas algum instrumento?”

Não sei que tipo de patologia será, todavia também nunca fui muito dada a coisas que tenham um rótulo certo.

Talvez a cura seja o palco.

Assim espero.


Clara fonseca borges

Ativista. Vice-músculo da Juventude Socialista Oeiras.
Artista de todas as horas. Leitora compulsiva, geek nos tempos livres, sonhadora.
Em introspeção constante

One comment

  1. Adorei!
    Gosto de ouvir e ver pessoas conscientes a refletirem sobre as coisas da vida, sem receios do fica mal.
    Espero que sigas o teu caminho, sempre na procura da tua
    verdade.
    Beijos

    Gostar

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