Esta coisa dos profissionais nas suas áreas…

Consta que os políticos profissionais são uns grandes malditos. E que o Tiago Mayan é muita bom porque é “o único candidato, à Presidência da República, que não é político profissional”.

Assim se explica que a Iniciativa Liberal tenha escolhido um tipo com o carisma de uma abóbora, em vez do seu deputado, e maldito político profissional, João Cotrim de Figueiredo.

Eu compreendo, também estou farto de profissionais em qualquer área que seja. Vá se lá compreender porque é que ainda existem pessoas que, quando escolhem um canalizador, procuram um tipo que perceba de canos. Ou aquela gente que gosta de ir ver peças de teatro com grandes atores num palco.

O mundo seria um lugar muito melhor se ninguém percebesse nada do que está a fazer. Podíamos contratar crianças de 5 anos para desenhar a nova ponte sobre o Tejo. Ou colocar na DGS as milhares de pessoas que gostam muito de opinar sobre o Covid nas redes sociais. Quiçá, até poderíamos reeleger o Trump para Presidente dos Estados Unidos da América!

Atenção, e ironias aparte, não digo que os profissionais, às vezes, não possam trazer problemas. Às vezes estão muito fechados nas suas áreas e é preciso abri-las para se trazerem novas ideias, novas pessoas, renovação. Às vezes é preciso que se vejam as várias áreas de uma forma interseccionada e que os profissionais de uma área saibam ouvir os profissionais de outras, para que juntos consigam encontrar as melhores soluções. E às vezes temos profissionais de uma área com nome na praça, reputação ou até histórico, mas que na verdade pouco dão. Temos de tudo. Mas pelo menos temos que procurar sempre ter as pessoas mais capazes e com mais qualidades para o que quer que seja.

À medida que a sociedade evolui para eliminar alguns dos seus preconceitos quanto aos velhos, quanto aos novos, quanto às mulheres, quanto aos LGBTQ+, etc… Criámos outros preconceitos iguais ou maiores. E as vítimas passaram a ser os que, no passado ou até presente, oprimiram, foram fontes de preconceito e estiveram numa posição de poder: Os mais ricos, às vezes os polícias, os políticos… E continuamos a perpetuar um desequilíbrio baseado no ódio, no preconceito, na raiva, na frustração, na revolta.

Um dia construiremos um mundo melhor. Preferivelmente com pessoas que percebam dos assuntos, o que normalmente serão os profissionais das suas áreas.

Miguel Partidário

Lic. em Ciências da Comunicação. Ator, Encenador, Escritor e Professor de Multimédia numa escola profissional. Presidente da JS Oeiras, da ala mais à esquerda do PS, para além de progressista, federalista e eco-socialista.

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