A estratégica importância da política nas sociedades contemporâneas

Não se assustem, a palavra “política” não é um palavrão! Este artigo, em jeito de reflexão, pretende dar a conhecer a minha visão sobre o que deve estar na génese da política e o quão importante é o interesse pelas suas causas.

Estando em isolamento profilático por estes dias, pus-me a refletir, com base na interpretação do quotidiano, acerca das motivações de uma considerável franja da sociedade, ao não se interessar por política. Ao longo deste artigo procurarei descodificar razões, bem como indagar possíveis soluções para o problema suprarreferido.

Antes de avançar, uma pequena nota: não se é político, está-se na política. A política é (ou deve ser) um serviço à causa pública e a procura incessante por uma sociedade mais justa, sustentável e coesa. Resumindo, o exercício da política como estrutura fundamental da administração de uma sociedade deve ser a procura por um mundo melhor.

Já dizia Aristóteles, na Antiguidade Clássica, que “o homem é, naturalmente, um animal político”. Para o filósofo, na recém-fundada democracia ateniense, em que todos os considerados cidadãos participavam diretamente no governo da Pólis, era indissociável o exercício da política da própria conceção de humanidade. Passados mais de dezasseis séculos, esse princípio parece estar a desvanecer-se.

No Portugal contemporâneo, embora a taxa de escolaridade da população portuguesa tenha vindo a aumentar desde a Revolução dos Cravos, a percentagem de votantes em eleições legislativas tem-se mostrado inversamente proporcional e, segundo estudos, mais de metade dos nossos jovens (57%) não revelam qualquer interesse pelo exercício público.

O próprio ato de fazer política não é bem visto pela sociedade. Intrinsecamente, para grande parte da população o compadrio, a corrupção e o tráfico de influências são características inatas de quem faz política. Para esse mesmo facto contribui o descrédito dos políticos e da classe política aos olhos da sociedade, e a própria incapacidade de os partidos políticos não irem ao encontro das ânsias das pessoas e não fornecerem respostas aos problemas das mesmas, menosprezando-as, bem como chacinando o interesse coletivo pelo poder público.

A descrença no sistema político também é visível, pairando a ideia que todos os políticos são iguais, uma vez que, segundo o grosso da população, por mais que se sucedam os governos parece que os problemas perduram nas suas vidas e que não existe uma mudança paradigmática do clima social, contribuindo assim para o aumento do desinteresse, e por isso, ao aumento da abstenção.

Perante os factos suprarreferidos, é necessário credibilizar os políticos e o exercício do poder público, instaurar uma forma de democracia verdadeiramente representativa, em que os eleitos ouvem os eleitores, dar formação aos docentes para abordarem a importância da política nas suas salas, bem como conduzir os partidos mainstreans a se modernizarem e procurarem dar uma melhor resposta aos problemas sociais.  

O sistema democrático não é um dado adquirido. Alhearmo-nos da política é também alhearmo-nos do conceito de sociedade. Esta faz parte de nós e do estabelecimento das relações humanas. Afinal de contas, todos nós precisamos de tomar decisões que interferem com a vida de outrem.

Mateus Luís de Araújo

Mateus Araújo, estudante do secundário em Humanidades, de centro-esquerda, republicano e laico, coordenador dos Estudantes Socialistas do Seixal, radical na defesa da democracia, direitos individuais e direitos humanos e moderado em tudo o resto.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s