Já temos um Bidon e será que vem cheio?

Dia 20 de Janeiro 2021, um dia histórico, o dia que toma posse como 46º Presidente dos Estados Unidos da América, Joseph Robinette Biden Junior, um democrata convicto e homem que sonhava ser Presidente desde que aos 29 anos foi eleito senador da câmara alta dos Estados Unidos, o 6º mais novo a ser eleito para o mesmo, irónico que seja também o Presidente mais velho a tomar posse do país.

A questão fulcral, é o que tudo isto indica?

Sim é verdade que, desde dia 20 de Janeiro, Donald John Trump, deixou de ser o Presidente dos Estados Unidos, acabando com uma presidência marcada por mais de 20 mil mentiras publicadas (de acordo com diversos jornais internacionais), por xenofobia, por racismo, pela supremacia branca, por homofobia, transfobia e um claro desinteresse pela classe trabalhadora, tendo o plano económico destes últimos 4 anos causado um aumento do défice orçamental em prol de isentar os mais ricos dos impostos federais.

Mas vamos ao que interessa, muito possivelmente Joe Biden foi eleito especialmente por ser anti-trump, por ser uma mudança, pois os Estados Unidos, assim como uma boa parte do mundo, enfrentam uma crise económica ou social gigante. Os EUA continuam a ser dos líderes em infeções e mortes de Covid-19 no Mundo. Apesar de ter sido eleito, apesar de não ser Donald Trump, apesar de se apresentar como anti-Trump, será que teremos uma presidência realmente contrária à de Donald Trump?

Eu penso que não. Ainda que no seu 1º dia de mandato Joe Biden, tenha assinado 17 ordens executivas como readerir ao acordo de Paris, voltar a integrar a Organização Mundial de Saúde, ter cancelado mais de 100 ações contra o ambiente do seu antecessor, congelado o fundo que Trump usava para financiar o muro e retirou o ban de viagem de 7 países predominantemente muçulmanos, Joe Biden é um democrata da ala centrista do seu partido e nada fará para resolver fundamentalmente os problemas do seu país.

Com isto conseguimos perceber claramente que teremos um Presidente dos E.U.A diferente e mais preocupado com a sua população e com o mundo. Mesmo assim, existe uma parte do eleitorado que o levou a presidência, no qual me incluiria se votasse nos Estados Unidos, que votou nele na condição de, a partir do momento que assumisse a presidência, iria passar a fazer-lhe oposição. Eleitores esses do campo do socialismo e apoiantes de Bernie Sanders.

Porquê? Basta analisar as suas propostas: É contra a “medicare for all”, ou seja, é contra haver uma nacionalização a industria médica e pretende só expandir o seguro de saúde do estado, o “obamacare”. Criou um plano de crise climática que pretende eliminar os gases com efeito de estufa até 2050, quando a maioria dos especialistas dizem que se queremos uma hipótese de ganhar esta guerra, devemos lutar para que seja até 2030. Biden não defende a propina 0 para as universidades públicas e ainda não se demonstrou a favor da legalização da cannabis, somente da descriminalização, e aliás, é conhecido por ter assinado uma lei que enviou milhares de possuidores para a prisão.

Além das suas propostas de campanha, podemos sempre analisar que Joe foi vice-presidente de Obama, Presidente o qual recebeu um prémio Nobel da Paz e no dia a seguir enviou tropas para o médio Oriente para abrir fogo sobre inocentes. Ainda assim, a vitória de Joe Biden tem um lado positivo para o mundo, especialmente na crise pandémica em que vivemos. Além disso, não podemos esquecer que em mais de 200 anos de história de democracia, finalmente há uma mulher como Kamala Harris num dos mais cargos executivos do país é notório.

Mas com este texto gostava de vos dar uma nota para reflexão: “Sic Parvis Magna”.

Isto não é uma vitória, é um passo positivo no que toca a diversas matérias como já referi anteriormente, mas o racismo não vai desaparecer, Joe ganhou um país nunca antes tão dividido na história recente, a igualdade de género não é plena, mesmo com uma mulher na vice-presidência, a supremacia branca que há poucos dias invadiu o capitólio não irá desaparecer, a extrema-direita não vai parar, os trabalhadores continuarão a ser explorados por grandes bilionários, a pandemia continua, as ideias liberais continuarão em nome da “liberdade” e o imperialismo idem. Com sorte possamos ter direito a uma versão “light”, mas até antes de tomar posse, jornais internacionais já diziam que Biden pretendia reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, intrometendo-se na soberania nacional de outros países, enquanto no seu, racistas e xenófobos invadiam o capitólio.

Com isto termino dando um apelo a todos os progressistas, a todos que visionam uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais livre, sem opressões, sem descriminações e livre de classes sociais para se lembrem que isto é somente um passo, um passo para algumas melhorias, não para a mudança necessária e que jamais baixem os braços, pois a luta ainda agora começou.

Tiago Santos

Vogal da Associação Académica de Lisboa. Secretário do Conselho Pedagógico do ISCAL

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