Qual é a tua, Ana Rita?

Impedirmos o crescimento de extremismos está, principalmente, nas pequenas coisas do dia a dia. Aquelas que vemos, ouvimos e lemos.

Sobre esta terceira: da imensidão de informação que nos passa pelos olhos diariamente, podemos escolher o que ler, onde ler e a forma. Algumas vezes não conseguimos ficar indiferentes. E é aqui que podemos trazer o bom-senso a bom porto.

Ana Rita Cavaco, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros. Desde que tomou posse nunca ouvimos tanto falar desta Ordem como agora. Formada em Enfermagem e Mestre em Saúde Comunitária e Saúde Pública, diria que se a conhecêssemos apenas pelo curriculum vitae não poderíamos nem imaginar metade das peripécias, polémicas e mais polémicas que tem protagonizado.

Ser polémico não é obrigatoriamente mau, atenção. Agora ser polémico pela constante necessidade de atenção e de uma vacina de noção já é mais preocupante. Ainda mais, falando de uma profissão tão nobre e fundamental como a enfermagem.

A mais recente ficou a navegar na minha mente e ainda não saiu: presenciámos o momento em que a Sra. Bastonária utilizou de forma rude e desadequada as rede sociais, proferindo palavras no mínimo, asquerosas, dirigidas à Presidente da Câmara de Portimão.

Nada de anormal, basta ver uns tweets escritos pela mesma e ficamos elucidados. Fazendo um pequeno recap vêm-me à cabeça, assim de repente, a suposta falta de oxigénio no Amadora-Sintra, a “chico-espertice” que em tão alta voz denuncia, a constante justificação com “ouvi dizer e ouvi falar” e ainda as alegadas ligações ao Chega. Isto só em poucas semanas.

Não podemos pôr tudo no mesmo saco, nem pensar. A grande problemática é que liderar a Ordem dos Enfermeiros não é ser eleito delegado de turma e poder aproveitar a ocasião para linchar os coleguinhas que não gostamos tanto. Isso é apenas e só sede de poder, sinónimo óbvio de populismo, fragmentação e aproveitamento de causa.

Qual é a tua, Ana Rita? É que não somos todos diminutos e andamos cá desde ontem.

Desvalorizamos este tipo de funções e é isso que abre espaço a abusos e exercícios desajustados de cargos. Ao longo da Europa também tem sido assim e a permissão para um discurso cada vez mais vil evidencia uma fragmentação que passou de extraordinária a habitual.

A preleção de Ana Rita Cavaco tem um padrão simples. Só não percebe quem não quer e, por mais que numa sociedade cada vez mais polarizada este tipo de questões se confundam, não deixamos de ser a considerada “espécie mais inteligente que alguma vez já existiu” para o bem ou para o mal, por isso tirem as vossas conclusões.

De repente, surgiram muitos epidemiologistas fáceis, feitos de bulas farmacêuticas e fake news. No caso da Sra. Enfermeira Bastonária o fenómeno é ainda mais comum. Não lhe vou chamar “chico-espertice” porque isso já a própria usou. Chamo-lhe saber escolher prioridades: nitidamente Ana Rita Cavaco precisa de pôr muita coisa em ordem-a cabeça e a dignidade com que se dirige a pessoas que pensa serem, noutro plano existente, menos que ela.

Por menos Ana’s Rita’s desta vida.

Clara fonseca borges

Ativista. Vice-músculo da Juventude Socialista Oeiras.
Artista de todas as horas. Leitora compulsiva, geek nos tempos livres, sonhadora.
Em introspeção constante

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