O que seria de nós sem ti (Turismo)?

(Disclaimer – antes de ler a seguinte crónica de opinião há que se fazer um exercício: Turismo inclui hotelaria, restauração e toda uma panóplia gigante de tecido empresarial, ou seja, Turismo não é só restauração, e o Chef Ljubomir Stanisic não nos representa a todos)

Posto o disclaimer, partilho desde já a minha opinião relativamente aos acontecimentos no passado mês de Novembro. Se eu tivesse um filho na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa a tirar cozinha, e senão tivesse real conhecimento de como é trabalhar em turismo, tinha retirado nesse mesmo dia o meu filho da escola – tudo o que aconteceu no Rossio naquele dia é reprovável e um autêntico insulto a todos os trabalhadores do setor turístico.

Não é anormal que os trabalhadores do setor se queiram manifestar, porque um setor que deu tanto ao país nos últimos anos acabou sem receber nada daquilo que deu e tornou-se um dos bodes expiatórios do Governo para o combate à pandemia.

Mais. Arrisco-me a dizer que, se esta situação toda tivesse acontecido com outro setor (como a Cultura, por exemplo) e o porta-voz em vez de ter sido um Chef de cozinha, de outra nacionalidade, tivesse sido um qualquer encenador ou ator querido pela população, toda a comunidade e comunicação social teria atribuído aquele “Grândola Vila Morena” entoado entre fumos de very lights, não a um ato de vandalismo e violência mas sim a um Grito do Ipiranga da Cultura. (Outra observação do autor deste texto, uso a Cultura como exemplo quando poderia usar qualquer outro, como salões de estética ou ginásios).

Arrumado o tema de chefs de cozinha armados com very lights no Rossio passo à realidade de factos.

Podemos afirmar muitas coisas negativas sobre o Turismo e sobre turistas MAS…

… o setor turístico até ao ano de 2019 era a maior atividade económica exportadora do país;
… o setor turístico foi responsável por trazer 16 milhões de turistas só 2019. Para o efeito estou a contabilizar apenas turistas sem nacionalidade portuguesa;
… o setor foi responsável por trazer para os cofres do estado 18.4 mil milhões de euros;
… o setor empregava diretamente 320 mil pessoas e cerca de 500 mil indiretamente.

Com a crise pandémica chegámos à conclusão que temos uma economia local “turistó-dependente” e urge a necessidade de termos outra vez a Rua de Santa Catarina carregada de holandeses, as Casas de Fado de Alcântara apinhadas de americanos e as praias do litoral Algarvio cheias de ingleses (este é um daqueles factos que ninguém gosta de admitir mas é um facto). Porque em 2019, quando tivemos 16 milhões de pessoas a mais no nosso país a encher salas de espetáculos, a encher as nossas lojas, os nossos restaurantes a andar de metro, táxi e autocarro a dar dinheiro àquele artista de rua que toca o “Wonderwall” ou o “Sweet Child of Mind” na guitarra. Éramos felizes e não sabíamos.

(Nota final do autor desta crónica de opinião – Foi usada a Cultura muitas vezes como exemplo, no entanto é necessário que se diga que o autor não tem nada contra a Cultura, que a respeita e que a eleva, os exemplos foram dados para ser mais fácil explicar os pontos de vista do autor.)

gUILHERME mATOS

Workaholic, avido consumidor de Stand-up Comedy, pseudo-jogador de Magic e nerd no geral.
Anti-populista, feminista e socialista

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