Esquerda Moderna

Do Soarismo ao Blairismo, por uma esquerda que se reinvente à escala europeia

A esquerda europeia fragmenta-se e perde representatividade política, eleição após eleição, ano após ano. Personalidades internacionais como Olof Palm da Suécia, Miterrand da França, Callaghan e Blair de Inglaterra ou Soares de Portugal são para mim algumas das maiores referências do desenvolvimento da esquerda europeia.

Portugal precisa nos dias que correm de uma série de reformas nas quais se englobam aspetos fundamentais da política social e económica. O socialismo autodestrói-se quando se desvirtua por caminhos de declínio terminal. A evolução histórica deve ser acompanhada de uma evolução da ação política.

É inquestionável o crescimento de desenvolvimento humano que Portugal teve nas últimas décadas, numa análise comparada consigo mesmo. Basta olharmos para as diferenças abismais entre a geração dos nossos avôs para a geração dos nossos pais. Todas essas foram garantias de desenvolvimento e bem-estar, proporcionadas pelo desenvolvimento global, como pelas boas práticas nacionais – desde a entrada no projeto europeu por Soares, crescimento impulsionador de Guterres, a visão de José Sócrates, bem como as reformas sociais de António Costa.

Contudo, vivemos tempos diferentes que exigem respostas mais robustas e pragmáticas para fazer crescer e desenvolver o nosso país. Esta é a primeira geração que se arrisca a viver pior do que a geração dos seus antecedentes. Somos a geração mais bem preparada de sempre, mas aquela que, tendencialmente, tem condições para se tornar a mais hipotecada.

Portugal tem uma oportunidade única de se reinventar, mas só o pode fazer se a esquerda assim o quiser. Precisamos de um novo modelo de desenvolvimento económico sólido, capaz de atrair mais investimento estrangeiro, como incentivar ao crescimento empresarial nacional. Portugal é um país que “dá cartas” internacionalmente nos mais variados níveis. Um país que se espalha pelos quatro cantos do Mundo, porque não se reinventa dentro das suas quatro paredes.

Temos um país que valoriza quem trabalha, que prioriza a boa qualificação e formação dos seus cidadãos, que progressivamente aprofunda o Estado Social, mas precisamos de mais do que isso. Precisamos de passar à próxima fase, uma fase de crescimento e desenvolvimento.

Iniciar-se-á o novo Quadro Financeiro Plurianual (2021-2027), que conjuntamente com o PRR e a “bazuca”, poderão proporcionar todas as condições para o “boom” que os jovens portugueses tanto ambicionam. Um futuro junto dos seus, um futuro nas suas terras, um futuro de sucesso em Portugal.

Como dizia Mário Soares, pautado sempre com a sua serenidade característica – “Para salvar Portugal é indispensável que se dê uma verdadeira acalmia nos debates de tipo partidário e político, e que nos esforcemos todos por entrar numa política de diálogo e de concertação”. Uma frase de longa data, mas que se predomina no tempo. Será que não aprendemos com os erros do passado?  

Portugal tem toda uma geração de jovens que quer reformar o país, que quer fazê-lo crescer, de uma forma sustentável socialmente, ambientalmente e economicamente. Essa reforma só poderá ser feita com a união de esforços de toda uma Geração que não se deve, nem pode, conformar com o presente. Esta não é uma luta ideológica, muito menos uma luta partidária. Esta é uma batalha geracional, porque só esta geração poderá garantir o seu próprio futuro.

Olhemos para o passado, reformemos o presente, sempre com perspetivas no futuro.

Diogo Martinho Henriques

Estudante de Ciência Política no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas de Lisboa

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